Dona Cristina estava passando necessidades, e como é comum nas igrejas a ajuda alimentícia, (ou deveria ser?), ela se inscreveu e passou a receber cestas básicas dessa igreja. Cada nome ia sendo colocado em um caderno de modo que este era levado às orações para que Deus abençoasse cada pessoa e elas chegassem a não precisar mais daquele apoio, e que chegassem ao conhecimento de Deus. Inclusive, ela estava até indo às reuniões todo final de semana.
Certa noite, Dona Cristina sonhou o seguinte: - Ela estava deitada na cama e um homem de cabeça enorme e olhos tão esbugalhados que ao piscarem faziam barulho - clap, clap - a observava dormir. Ela abriu os olhos e viu aquela cena além da imaginação e se encolheu na cama. O homem aterrorizante falou com voz cavernosa: - Tire seu nome daquele caderno, eu não quero seu nome naquele caderno.
Ela foi correndo no outro dia, justamente o dia da distribuição das cestas, chegou nervosa e afobada. -Eu não quero receber mais a cesta básica e quero que tirem meu nome do caderno de oração. - Mas, porque dona Cristina, o que foi que aconteceu? - Nada, só quero que apaguem meu nome daí. A moça responsável pegou o caderno, procurou o nome de Dona Cristina e ia apagar com o corretivo, afinal ela respeitava a decisão da senhora; Dona Cristina tomou o caderno e a caneta da mão e riscou com sofreguidão seu nome ao ponto que só ficou um borrão.
Agora me digam, que ser maléfico seria este a adentrar o sonho de alguém e impedi-la de receber algum tipo de auxílio? Até hoje Dona Cristina não gosta de igrejas.
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Agradeço a minha irmã, irmã de sangue mesmo, hahah, pela história. Ela tem me contado muitas outras que em breve estarei colocando por aqui.
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quinta-feira, 16 de junho de 2011
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Uma noite na floresta
Meu pai, um contador de histórias nato, falou-me certa vez de um amigo seu que gostava de caçar. Mas num dia de caça ruim, não havia conseguido nem uma rolinha, perdeu a hora no meio do mato. A noite já ia alta e nada dele conseguir achar o caminho de volta para casa, resolveu subir numa arvore alta para se proteger de algum perigo ou animal mais sortudo na caça do que ele.
Procurou uma árvore encorpada e de galhos fortes e se enpoleirou lá em cima. Se ajeitou o melhor que pode e tentou dormir. Já pelas tantas, lá de cima ele ouviu que alguém vinha assobiando, cantarolava com assovios. Era um caboclo atarraxado e baixinho. O caboclo vinha com um machado apoiado no ombro, de quando em quando ele olhava para cima das árvores como se estivesse procurando alguma coisa. E o homem lá em cima observando a cena pitoresca.
Quando o caboclo passou bem embaixo que o homem estava refugiado, olhou para cima e viu o amigo de meu pai. Foi nessa hora que ele viu algo de diferente no olhar daquele homenzinho do mato. Era o olhar da maldade.
O caboclo começou a meter o machado no tronco da arvore, Zé ficou desesperado. Calculou a altura, viu que numa queda daquele tamanho morreria com certeza. E o caboclo mentendo machado. Zé suava, clamava pelos maiores poderes que conhecia e o machado cantava. A arvore começo a tremer, folhas começaram a cair por causa da trepidação. Zé fechou os olhos, agarrou-se com força e esperou o fim. Sentiu quando a árvore tombava e o choque com o chão.
Quando tudo terminou sentiu-se vivo, respirava. Apalpou-se para ver se estava tudo inteiro. Abriu os olhos e estava no mesmo lugar, no galho mais alto daquela árvore. O caboclo sumira. Olhou lá de cima do tronco da árvore, estava intacto. Ainda teve sangue frio pra esperar o restinho da noite ir embora. Não teve mais medo de bicho nenhum. Agora sabia que havia mais coisas aterrorizantes no meio do mato. Foi pra casa mais que depressa.
Não teve
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